sábado, 8 de setembro de 2012

O DESAFIO DA EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI - Quando o uso da tecnologia individual interfere na aprendizagem
1. RESUMO

O uso da tecnologia individual é um dos desafios dos educadores para desenvolver a prática pedagógica e garantir uma educação de qualidade em sala de aula. Que atitudes devem ser tomadas diante desses aspectos?
Ouvir o corpo discente e refletir acerca de suas ideias é uma boa estratégia para aproximar a escola dos interesses dos alunos, tentando compreender a expectativa do alunado e juntamente com eles construir um novo conceito de educação visando selecionar as sugestões viáveis que possam favorecer o ensino aprendizagem.
É imprescindível que haja mudança na maneira de pensar do educador, no modo de enxergar as situações que envolvam a escola, o aluno e a tecnologia. Os problemas que atingiam os alunos da época passada, não são os mesmos na atualidade, muito menos a maneira de resolver os impasses.
 Os alunos vivem numa geração em que as pessoas não precisam ir até a presença do outro para conversar, para trocar fotos, comentar eventos e ficar inteirado sobre tudo o que lhes interessa. São locais onde eles podem se comunicar além de tirar as suas dúvidas a respeito do assunto desenvolvido. 
Como o educador conseguirá limitar os alunos em sala de aula com toda essa permissividade da conexão atual? De que maneira poderá fazer com que os alunos possam discernir a vida virtual da presencial?  Como desconectar os alunos dos sites de relacionamentos por algumas horas se deixam o computador em casa e continuam a conectar-se na aula através da mobilidade do aparelho celular?
O presente texto mostra as dificuldades enfrentadas pelos educadores no desenvolvimento da prática pedagógica em pleno século XXI, diante das inúmeras inovações tecnológicas disponíveis no mercado e apresenta as ações desenvolvidas por eles para resolver os esses impasses.
O estudo do grupo sugere ações que venham amenizar ou resolver o problema e faz uma reflexão dos resultados da pesquisa apresentados no gráfico.

2. APRESENTAÇÃO

         As inovações tecnológicas tiveram um crescimento veloz e diversificado. Parece que as pessoas ainda não conseguiram definir o momento certo de utilizá-los. Por tratar-se de aparelhos móveis, eles têm em mãos todo o tempo. Por um lado é importante e incontestavelmente útil, mas, e quando este recurso individual interfere no desenvolvimento da prática pedagógica?
        Pensando nestes aspectos, esta pesquisa foi elaborada espontaneamente, com o intuito de saber quais são os maiores desafios tecnológicos do século XXI que os educadores enfrentam em sala de aula, para desenvolver a prática pedagógica e investigar onde há maior utilização: na escola pública ou privada. Conhecer as ações que estão sendo planejadas para resolver esses problemas e ainda, de que forma os professores conseguem chamar a atenção dos alunos para o conteúdo a ser desenvolvido é imprescindível para chegar à conclusão dos resultados a fim de concluir se estas apresentam resultados positivos ou negativos.
        O estudo do tema busca identificar os entraves do professor para desenvolver a prática pedagógica no dia a dia em meio às novidades tecnológicas e sugere ações que possam despertar: no aluno o interesse pela educação oferecida nas instituições escolares, e, no professor, inovação da aula, utilizando a tecnologia como principal recurso. 

3. OBJETIVO

Em relação às inovações tecnológicas, a pesquisa busca investigar, de forma detalhada, quais são os desafios da educação no século XXI e quais são as ações desenvolvidas pelos educadores para resolver o problema, quando o uso individual interfere no desenvolvimento da prática pedagógica e compromete o planejamento curricular.
   
4. INTRODUÇÃO - Quando o uso individual interfere no desenvolvimento da prática pedagógica

          As dificuldades em que o corpo docente enfrenta para desenvolver a prática pedagógica diante de muitas oportunidades e inovações do mundo tecnológico é uma discussão atual. Os discentes encontram-se num dilema: permanecer sentados por horas assistindo às aulas expositivas de conteúdos que nem sempre estão relacionados às suas necessidades ou explorar as ferramentas tecnológicas dos inúmeros aparelhos eletrônicos: pesquisa virtual em sites de busca, de relacionamento e bate-papo. Como competir com estas novidades? Que ações estão sendo desenvolvidas para amenizar a concorrência com a tecnologia, principalmente com os aparelhos móveis? O resultado destas ações desenvolvidas pelos educadores apresentam resultados negativos ou positivos? Quais são as contribuições dos dispositivos móveis para que o educador não obtenha sucesso no desenvolvimento de sua prática? Eles podem ser um aliado na aula? De que forma?
Diante dessas reflexões, nós nos perguntamos, afinal, o que é ser um educador em pleno século XXI? Essa é uma pergunta para a qual não há resposta fácil. Mas uma coisa é certa, o tempo atual, caracterizado por mudanças constantes e velozes, traz desafios para o professor e o obriga a repensar continuamente sua prática.

5. METODOLOGIA

   O grupo discutiu as questões que fariam parte do pequeno questionário em busca de respostas claras sobre os desafios enfrentados pelos professores em sala de aula durante o desenvolvimento de sua prática pedagógica bem como as ações desenvolvidas para resolver o problema.
   Cada integrante entrevistou dois professores do Ensino Fundamental II, de escolas de Irecê e região, sendo que foram 5 escolas da rede pública e 5 da rede privada somando no total, 10 escolas. Não fora utilizado nenhum critério acerca da instituição, da área, ano ou professor e as entrevistas aconteceram entre os dias 21 de maio a 22 de junho de 2012. O objetivo desta pesquisa é identificar fatores tecnológicos que viessem a prejudicar o desenvolvimento das aulas em sala.
    Foram elaboradas apenas quatro perguntas: duas abertas e duas fechadas. As respostas abertas foram coletadas, porém apenas as respostas em comum foram levadas ao gráfico. (ver em anexo)
Após a coleta dos dados o grupo reuniu-se para discutir o resultado da pesquisa e a melhor forma de elaborar os gráficos. 


6. RESULTADOS

  A partir das respostas de cada questão foi elaborado um gráfico com os seus respectivos resultados.

 Em relação à tecnologia, foram feitos alguns questionamentos.
   O gráfico mostra que 60% dos educadores enfrentam o problema com o uso indevido de dispositivos móveis em sala de aula. Mesmo diante da proibição feita pela instituição, eles insistem em utilizar as ferramentas disponíveis e na maioria das vezes socializando músicas, vídeos e SMS.
Além disso, 30% dos professores afirmam que eles fazem uso de outros dispositivos como MP3 e MP4 através de fone de ouvido ignorando os acontecimentos em sala de aula.
     Dos entrevistados, 10% citaram outros tipos de dificuldades no desenvolvimento da prática que não estão relacionados diretamente ao uso indevido da tecnologia em sala de aula como: indisciplina, conversa paralela, desinteresse entre outros aspectos.
     Em seguida, foi perguntado ao professor se o uso da tecnologia em sala de aula acontece em maior índice na escola pública ou privada.
         Todos os professores que trabalham em escolas públicas e privadas responderam que 100% dos alunos possuem aparelhos móveis e utilizam normalmente em sala de aula, portanto não há diferença no índice de alunos portando celular. A pesquisa mostra que, tanto o aluno de escola pública como o de escola privada possuem condições de obter um celular.
        Diante deste índice de alunos portadores de dispositivos móveis em sala de aula, nós perguntamos que ações eles estavam desenvolvendo para amenizar ou resolver este problema.
       De acordo com a pesquisa, estas são as três principais ações desenvolvidas pelos professores:
       O gráfico mostra que 60% dos professores indicaram que utilizar o dispositivo móvel como um recurso pertinente na sua pratica pedagógica é a alternativa mais viável. Porém, obviamente percebemos que este recurso não é uma ação constante, até porque seria inviável que este mesmo professor faça uso do recurso em todas as suas aulas.
       Dos professores entrevistados, 30% responderam que utilizar aula dinâmica e interativa, é a melhor alternativa para direcionar o aluno para o objeto de estudo trabalhado fazendo com que o aluno passe de ouvinte a protagonista, estudando, argumentando, apresentando seminários, debatendo temas, atribuindo-lhe responsabilidades com tempo estimado. Esta ação nos parece uma alternativa viável, entretanto, nem sempre é possível envolver todos os alunos.
       A minoria, correspondente aos 10% restantes dos professores entrevistados afirmam que suspender o uso dessa tecnologia funciona. No entanto, nós consideramos esta ação mais autoritária do que didática.

 A conclusão das ações desenvolvidas pelos professores:
Para os professores entrevistados, todas as ações apresentadas acima obtiveram resultados positivos.
     Embora reconheçamos que utilizar de questões abertas para o desenvolvimento dessa pesquisa não foi a melhor alternativa, visto que o direcionamento das opções de resposta não nos permitiu uma melhor clareza na tabulação dos dados, concluímos que o nosso objeto de estudo “o uso indevido das tecnologias individuais na sala de aula” atrapalham o desenvolvimento das aulas e compromete a aprendizagem dos alunos em grande escala. 
     Através das informações coletadas foi possível constatar os problemas que os professores enfrentam para desenvolver a sua prática pedagógica se dá pelo fato de a maioria dos alunos utilizarem o celular em sala de aula, aparelhos como MP3/4 entre outros.
    A utilização desses aparelhos de forma indevida acontece tanto na escola privada como na escola pública nas mesmas proporções. Por isso, os professores buscaram desenvolver ações como: proibir o uso destes equipamentos, prender a atenção dos alunos de forma variada e interativa, tornando-o autores nas discussões e participação efetiva nas aulas e utilizar as tecnologias móveis durante as aulas. Essas ações apresentam resultados positivos na grande maioria. Somente 10% dos professores entrevistados afirmaram que a proibição funciona em sala de aula.
  
7. CONCLUSÃO

     Os dados da pesquisa mostram que os professores em meio às novidades tecnológicas, que não param de surgir no mercado, devem buscar atividades dinâmicas e inovadoras para desenvolver a prática pedagógica em sala de aula, como responderam 30% dos professores entrevistados. Tornar o aluno o protagonista da classe, promover atividades em que o aluno seja participativo e construa seus próprios conhecimentos com intervenção do educador são ações viáveis. Mas, e quando nem todos querem envolver-se? Proibir a utilização dos dispositivos móveis em sala de aula foi a ação de 10% dos professores. Ela é realmente uma estratégia funcional?
    Os professores tentam encontrar maneiras de desviar a atenção dos alunos do aparelho, mas será que funciona realmente? No último gráfico vimos que 60% dos professores afirmaram que utilizam os dispositivos móveis como recurso no desenvolvimento da prática pedagógica. Que atividades são essas? Em quais disciplinas essas atividades são utilizadas? São questões que precisam ser investigadas.
    Desafio difícil e complexo, estes impasses obrigam o professor a uma longa reflexão acerca da utilização dos dispositivos móveis em sala de aula. Muitos pais sentem-se seguros se o filho portar um telefone móvel diante de contratempos e a violência do mundo moderno. Por outro lado, os adolescentes da atualidade, de todas as classes sociais sentem-se obrigados a acompanhar a moda, já que o celular é um aparelho comum a todo cidadão e suas ferramentas ligam os jovens de interesse comum, deixam informados sobre tudo e todos que estão na rede, entretanto não sabem discernir o momento adequado para a sua utilização.
    
7.1 ALIANDO-SE À TECNOLOGIA

        Que outras ações além das citadas pelos professores nesta pesquisa podem amenizar ou resolver os problemas?
Com o intuito de contribuir com os educadores, o grupo discutiu ações que pudessem auxiliar os educadores neste sentido.
Um dos primeiros passos é:
·      Desenvolver ações que se aproximem do modelo das redes sociais que tanto atraem os jovens e conseguem a maior parte de sua atenção;
·      permitir que o aluno seja o autor/protagonista da classe sugerindo atividades, explicando conteúdos e abrindo debates de temas de seus interesses e da rede, supervisionados pelo professor;
·      aproximar a escola dos meios tecnológicos tendo como modelo as redes sociais onde os alunos possam interagir com os próprios colegas e professores entre outros funcionários, conhecendo cada um assim como nos sites de relacionamentos.
·      a escola deve ceder mais espaço aos alunos e permitir que eles construam a sua própria identidade e sentimento de pertencimento à instituição;
·      ter um local fixo, especial onde diversos perfis sejam expostos e possam socializar os seus pensamentos e ideais profissionais;
·      construir blogs coletivos ou mesmo individuais com conteúdos das disciplinas;
·      disponibilizar atividades online;
·      e promover fórum de discussão.

Referências bibliográficas

                                 As armas de educação em massa. Educação. Rio de Janeiro. Editora Abril. Ed. 2248 – ano 44 – nº 51, dez. 2011
BARROSO, João. O reforço da autonomia das escolas e a flexibilidade da gestão escolar em Portugal In FERREIRA, Naura Syria Carapeto (org) Gestão Democrática da Educação: atuais tendências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 2ª Ed. 2000.
FREIRE. Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970.
GADOTTI, Moacir e ROMÃO, José Eustáquio. Autonomia da Escola: Princípios e Propostas. São Paulo: Cortez, 1997.
PENIN, S.T de S. Progestão. Módulo I.  Brasília, 2001.






















Universidade do Estado da Bahia-UNEB
Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias- DCHT
Disciplina – Literatura e Cultura Afro-brasileira
Docente - Marielson
Discente – Samai de Azevêdo Pereira
4º Semestre de Letras



No balanço malicioso do lundu,
artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional – ano 1/nº08/ fevereiro e março de 2006



O lundu foi um dos gêneros musicais mais importantes
do século XVIII e XIX no Brasil. Tal música era usualmente acompanhada por viola de arame, a ancestral da atual viola caipira. O gênero influenciou o samba abordando com humor e graça um tema tabu: jogos de sedução entre o negro escravo e suas sinhazinhas.



    O texto fala sobre as primeiras criações de versos, geralmente abordando temas polêmicos como o possível relacionamento entre o escravo e sua senhora. O discurso amoroso suaviza a violência da escravidão, transformando o maltratado em cúmplice do próprio algoz. O negro provoca, insinua-se e faz seu jogo de sedução.
    O lundu teve início no século XVIII quando passou a fazer sucesso tanto no Brasil como em Portugal, eram as modinhas. O termo surgiu no século XIX e tem sua origem em calundu, dança ritual africana e está relacionada ao batuque dos negros. Ela é compreendida inicialmente como dança: umbigada africana e o fandango europeu. Logo, deu origem ao lundu-canção.
    De acordo com Tereza de Almeida, a diferenciação do gênero em nosso país se deu por designar canções com características definidas e reconhecidas por compositores, editores e públicos.
    Gênero de longa história, teve a sua primeira música gravada em 1902, o lundu Isto é bom de Xisto Bahia (1841-94), interpretado pelo cantor Baiano (1870-1944). Alguns lundus deixavam explícita a fragilidade feminina da senhora de forma a inverter na relação de poder. É o desejo do negro que se sobrepõe ao de sua sinhá. O negro explicita a rejeição de sua dona, mas ao mesmo tempo se sente atraído por essa rejeição deixando claro, nos versos, que esses fatos fazem parte do jogo de sedução. É nos lundus que essas ambivalências amorosas, violência e sedução se tornam cúmplices e indissociáveis.
    Segundo o pesquisador Géhard Behágue há uma coletânea As modinhas do Brasil, pertencentes ao acervo da Biblioteca da Ajuda, de Lisboa conhecida somente em 1968.
    O lundu conseguira ser conhecida e considerada atração humorística, executada ao violão também por palhaços de circo.
    Em meados do século XIX, o lundu já era considerado importante no teatro de revista e gênero dramático, a malícia e sensualidade do gênero uniam-se ao ritmo sincopado, originário da cultura africana.
    Ao longo dos anos, o gênero passou por transformações significativas em relação às temáticas abordando diversos temas de forma humorística.


Tereza Virgínia de Almeida, doutora em Letras pela PUC-RJ, com estágio de pós-doutorado em Literatura comparada pela Universidade de Stanford (EUA), e professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).






sábado, 17 de setembro de 2011

Aula de Português – encontro e interação


                     
De acordo com os PCNS o ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa é resultante da articulação de três variáveis: o aluno, a língua e o ensino.  O primeiro elemento dessa tríade, o aluno, é o sujeito da ação de aprender, aquele que age sobre o objeto de conhecimento. O segundo elemento, o objeto de conhecimento é a Língua Portuguesa, tal como se fala e se escreve fora da escola, a língua que se fala em instâncias públicas e a que existe nos textos escritos que circulam socialmente. E o terceiro elemento da tríade, o ensino, é, neste enfoque teórico, concebido como a prática educacional que organiza a mediação entre sujeito e objeto do conhecimento.
Ainda hoje, existe certa acomodação dos professores, que passivamente, esperam que alguém venha dizer a eles o que fazer e como fazer, dispensando-se assim o trabalho constante de estudar, de “estar atentos”, de pesquisar, de avaliar, de criar, de inventar e reinventar sua prática, o que naturalmente supõe fundamentação teórica ampla, consistente e relevante.
A prática dos professores se fasta do ideal porque lhes faltam entre outras muitas condições, um aprofundamento teórico acerca de como funciona o fenômeno da linguagem humana.
O conhecimento teórico disponível a muitos professores, em geral, se limita a noções e regras gramaticais esquecendo-se de levar em conta as particularidades, as personalidades e situações diversificadas como exclusão e preconceito, que podem afetar o aprendizado do aluno.
Para reflexão, o filme Freedom Writers, (Escritores da Liberdade, título em Português) adaptado do livro de Erin Gruwell, baseado em fatos reais, apresenta a determinação de uma professora (Erin Gruwell) em lutar pelo real aprendizado de seus alunos, de uma escola da periferia de Los Angeles, que faz parte de um programa de inclusão educacional. A chamada “turma difícil”, pouco afeita aos estudos e que vai à escola apenas para “cumprir tabela” se mostra, no começo da relação entre a nova professora e os alunos, uma realidade. O grupo, formado por jovens de diferentes origens étnicas (orientais, latinos e negros), demonstra intolerância e resistência à interação, preferindo isolar-se em guetos dentro da própria sala de aula. Este filme mostra a persistência da professora para inserir estes alunos na comunidade escolar de forma produtiva, desenvolvendo práticas pedagógicas levando em conta a realidade dos alunos.
“Escritores da Liberdade” (Freedom Writers) é uma fabulosa história de vida que nos mostra como as palavras podem emancipar as pessoas e de que forma a educação, a cultura e o conhecimento são as bases para que um mundo melhor realmente aconteça e se efetive.

Resenha do filme Sociedade dos Poetas Mortos

                                 Ficha Técnica

Título original: Dead Poets Society
Gênero: Drama
Duração: 2 hr 9 min
Ano de lançamento: 1989
Estúdio: Touchstone Pictures
Distribuidora: Buena Vista Pictures
Direção: Peter Weir
Roteiro: Tom Schulman
Produção: Steven Haft, Paul Junger Witt e Tony Thomas
Música: Maurice Jarre
Fotografia: John Seale
Direção de arte: Sandy Veneziano
Figurino: Marilyn Matthews
Edição: William M. Anderson e Lee Smith
O filme Sociedade dos Poetas Mortos se passa em uma escola/internato masculino chamado Welton. De modelo marcado por tempo determinado pra cada função e espaço racionalizado, prioriza a educação tradicional, baseada nos princípios da Tradição, Honra, Disciplina e Excelência.
Contrapondo-se a isso, o professor John Keantig tem proposta de ensino com base no próprio processo de viver. Segundo ele, a educação deveria confundir-se com a própria vida. As suas estratégias de ensino fogem do paradigma estabelecido pelo internato; uma vez que o professor se utiliza de outros espaços, considerados não convencionais pra propor atividades diferenciadas, provocando os alunos a fim de pensarem por si mesmos.
O filme mostra cenas como as que o professor encoraja seus alunos a subirem na mesa, falarem alto, e até arrancar páginas de livro, por considerá-las excrementos. Esses atos fazem com que o professor Keating se torne um novo modelo de educação, não seguindo assim o currículo padronizado.
Esses princípios são responsáveis pela escolha dos pais com a finalidade de que os seus filhos adquiram educação de qualidade para ingressar, posteriormente nas melhores universidades. O estilo pedagógico adotado é de saber especifico: o cientifico. Os cursos mais valorizados são Medicina, Direito e Engenharia; já a Literatura e a Arte Dramática não são de tanta importância. O autor demonstra claramente na cena em que o aluno Neil não consegue permissão do pai para fazer artes dramáticas. Ele exige que ele deixe as atividades relacionadas ao descobrir que seu filho está participando de uma peça teatral.
O filme tem como acontecimento principal as escapadas de Neil nos ensaios da peça, na descoberta de que a Arte lhe faz feliz e de que pode escolher o caminho que lhe possibilita esta alegria. O peso da exigência do pai pressionando para que o filho faça e trace os caminhos estabelecidos por ele torna o filme tenso, a omissão da mãe nesta situação (o sexo feminino possuía um poder menor que o oposto), a ausência do notório professor Keating, desligado da escola em que lecionava, não deixa o jovem outra escolha senão o suicídio.
Sociedade dos Poetas Mortos é considerado um filme brilhante, fazendo as pessoas perceberem o quanto o papel do professor perante os alunos é importante, pois como educador este deve estimular a formação dos cidadãos, e mais que isso; que sejam críticos, criativos e pensadores.
A grande lição deste roteiro é a expressão ‘Carpe Diem’ como uma nova visão de vida. ‘’Aproveite seu dia, colha logo seus botões de rosas.’’

Ciclos Temáticos da Literatura de Cordel

      A Literatura de Cordel é conhecida pela sua diversidade de temas e de questionamentos. Entretanto é importante classificar e caracterizar esses temas para que facilite o estudo deste gênero, destacando as personagens protagonistas destes cordeis, o contexto histórico, a cultura e dentre outros fatores que influenciam os poetas no seu processo de criação.
      Não há uma explicação exata como determinado tema foi ou não escolhido, no entanto há uma relação com a época em que os temas surgem. Há uma diversidade com que os temas se apresentam. Alguns são representados por figuras humanas, como por exemplo: herói e anti-herói; aspectos de vivência social: religiosidade, aventuras, casos de amor. O elemento humano é considerado na literatura de cordel indispensável, pois faz parte da memória do povo as figuras mais populares. Os tipos humanos também são considerados importantes, pois é comum destacar os tipos étnicos ou regionais que aparecem na paisagem social, sobretudo no Nordeste.
A classificação de Manuel divide o acervo popular em três cliclos temáticos:
   I. Temas tradicionais: a.) romances e novelas; b.) contos maravilhosos; c.) estórias de animais; d.) anti-heróis/peripécias/diabruras; e.) tradição religiosa. Entre os exemplos mais famosos desse ciclo, estão: Proezas de Carlos Magno, Histórias dos Doze Pares de França, Cavaleiro Oliveiros, Cavaleiro Roldão, Roberto Diabo, Helena de Tróia, Histórias da Imperatriz Porcina, Donzela Teodora... E outros de origem bíblica: José do Egipto, Sansão e Dalila, Judas e histórias da Virgem Maria, Jesus, São Pedro, São Paulo... No Catálogo da Casa Rui Barbosa consta também contos maravilhosos: Ali Babá e os 40 Ladrões, Proezas de Malasartes, O Barba Azul, A Branca de Neve, A Bela Adormecida, O Ladrão de Bagdá e outros.
  II. Fatos circunstanciais ou acontecidos: a.) de natureza física (enchentes, cheias, secas, terramotos, etc.); b.) de repercussão social (festas, desportes, novelas astronautas, etc.); c.) cidade e vida urbana; d.) crítica e sátira; e.) elemento humano (figuras actuais ou actualizadas, como Getúlio Vargas, ciclo do fanatismo e misticismo, ciclo do cangaceirismo, tipos étnicos ou regionais, etc.
    III. Cantorias e pelejas: Poemas que nascem oralmente, no calor dos “desafios” entre dois ou mais cantadores. Em geral, tais pelejas ou cantorias se perdem, pois ninguém se preocupa em registrá-las por escrito. Mas algumas, devido à memória prodigiosa dos cantadores (e agora com os recursos electrónicos) acabam escritas em folhetos de cordel e se tornam famosas, inclusive, devido ao complexo virtuoso da estrutura poética que, por vezes, apresentam. É principalmente nestes casos que a literatura de cordel deixa de ser anônima (como é natural na literatura popular), pois sempre leva os nomes dos cantadores responsáveis.
      Segundo os pesquisadores, o Brasil é o maior produtor de literatura de cordel, no mundo ocidental: em cem anos publicou cerca de 20.000 folhetos, embora em pequenas tiragens (entre 100 e 200 exemplares cada). (Joseph M. Luyten).
      Há cantadores e cordelistas famosos (Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, Cuíca de Santo Amaro, pseud. de José Gomes, Rodolfo Coelho Cavalcante Raimundo Santa Helena; Francklin Machado; Paulo Nunes Batista, entre outros) que, além de cantarem e imprimirem os textos tradicionais inventa cantorias com temas gerados pelas circunstâncias de seu tempo, pelo dia-a-dia do povo, e que servem de informação, deleite do ouvinte ou leitor, ou denúncia dos mal-feitos em prejuízo de alguém. A maioria dos cordeis é ilustrada pela técnica da xilografia (gravação em madeira, depois estampada à tinta no papel, e que tem evoluído muito, em subtilezas técnicas). Arte regional (no início minimizado como rudimentar), hoje constitui, juntamente com as “cerâmicas de Mestre Vitalino”, uma das experssões mais características da arte popular brasileira.
Os poetas biografados no acervo Rui Barbosa se encontram classificados em dois grupos: poetas pioneiros e poetas da segunda geração.
Do primeiro constam os poetas nascidos na segunda metade do século XIX e cujo ingresso na atividade do cordel ocorreu entre 1893 (ano em que se inicia a produção em série de folhetos) e 1930.
Ao segundo grupo pertencem os poetas que nasceram no início do século XX e entraram para o universo da literatura de cordel em uma época em que a maior parte dos representantes da primeira geração já havia morrido e a rede de produção e distribuição de folhetos já estava estabelecida.
 Com o correr dos tempos e o progresso urbano que, embora devagar, atingiu o Nordeste brasileiro, muitos costumes antigos desapareceram, mas a literatura de cordel resistente mantém-se viva até hoje, concorrendo com a rádio, o cinema e a televisão, para o entretenimento do povo nas praças, ruas, feiras, mercados ou em qualquer lugar em que haja um cantador e sua viola. Cada vez com mais evidência, o interesse pelos cordeis antigos vem decrescendo em favor dos novos cordeis que falam dos heróis - muito mais, anti-heróis - dos dias de hoje, e mais denunciando ou zombando do que inventando acontecimentos do novo Brasil e suas circunstâncias.
LITERATURA popular em verso: estudos / Manuel Diégues Júnior [et al]. 2. ed. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da USP; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. 468 p. (Reconquista do Brasil. Nova série, 94).


  

A Educação vem rompendo barreiras

A PRÁTICA EDUCATIVA EM LÍNGUA PORTUGUESA PARA UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Cristiano Martins
Janara Araújo
Mª José Freire
Samai de Azevedo
Sandro Gomes
Veralúcia Brito
Viviane Barbosa


Orientadora: Kátia Cristina Novaes Leite


“Para entender é preciso esquecer
quase tudo o que sabemos.
A sabedoria precisa de esquecimento.
Esquecer é livrar-se dos jeitos de ser
Que se sedimentaram em nós, e que
Nos levam a crer que as coisas têm
De ser do jeito como são. (...)”
Ruben Alves





Fruto de uma longa história de luta pelos direitos humanos, a educação inclusiva passou por vários momentos e movimentos, a respeito dos quais não se pretende aqui fazer uma descrição exaustiva. A ideia de uma sociedade inclusiva fundamenta-se numa filosofia que reconhece e valoriza a diversidade como característica inerente à constituição de qualquer sociedade. Partindo desse princípio e tendo como horizonte o cenário ético dos Direitos Humanos, sinaliza-se a necessidade de  garantir o acesso e a participação de todos a todas oportunidades, independentes das peculiaridades de cada indivíduo. Sabendo que em todas as instituições de ensino existem diversidade e que a inclusão cresce a cada ano, mesmo as escolas não estando preparadas para acolher e lidar com o diferente, é necessário buscar nos princípios filosóficos, sociológicos e antropológicos a contribuição  para a concepção de uma escola que atenda à diversidade.
Sendo assim, uma política de educação inclusiva fundamentada na concepção de direitos humanos deveria ser impulsionada pelos movimentos sociais buscando reverter processos históricos de exclusão educacional e social, visando deste modo, a garantia do acesso de todos os alunos à escola da sua comunidade, independente de suas diferenças sociais, culturais, étnicas, raciais, sexuais, físicas, intelectuais, emocionais, linguísticas e outras.  Para além da igualdade de oportunidades, a inclusão focaliza a valorização das diferenças e desenvolvimento de projetos pedagógicos que atendam as necessidades educacionais dos seus alunos e promovam mudanças nas práticas e ambientes escolares, de modo a eliminar as barreiras que impedem o acesso ao currículo e o exercício da cidadania.
Segundo Kunc (1992), o princípio fundamental da educação inclusiva é a valorização da diversidade e da comunidade humana. Quando a educação inclusiva é totalmente abraçada, nós abandonamos a ideia de que as crianças devem se tornar normais para contribuir para o mundo. Portanto, a inclusão é mais que um modelo para a prestação de serviços de educação especial. É um novo paradigma de pensamento e ação, no sentido de incluir todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais normal do que exceção (Skrtic, 1994, citado por STAINBACK e STAINBACK, 2000, p.31).
A “Educação Inclusiva” desloca certezas sobre os  espaços da escola; o dentro e o fora se confundem; as paredes que separam escolas regulares e especiais se fundem; formatos curriculares e estratégias de avaliação se tornam obsoletos, não dão conta do que se apresenta. Trata-se da revolução paradigmática que se desencadeia com o movimento inclusivo e com as gradativas evoluções legais que sustentam esse mesmo movimento.
Como uma proposta pedagógica, a educação inclusiva não está restrita ao campo de atuação da educação especial, mas em alterar a estrutura tradicional da escola fundada em padrões de ensino homogêneo e critérios de seleção e classificação, passando a orientar a construção de sistemas educacionais que efetive o direito de todos à educação. Ao assumir o compromisso de alterar as práticas educacionais e fundar uma nova cultura escolar que valorize as diferenças, a educação especial supera o caráter restrito identificado pela visão clínica e assistencial, passando a produzir avanços na perspectiva de inclusão e da acessibilidade.
A verdade é que, o homem mudou consideravelmente a sua história, seus rumos. Muitas foram às modificações ocorridas pelos avanços da ciência, contudo há muitas mudanças fundamentais a serem efetivadas e adaptadas as novas exigências, como a capacidade solidária entre as pessoas. A sociedade do terceiro milênio é uma sociedade em que não há mais espaço para exclusão. A inclusão é um dos princípios fundamentais para a transformação humanizadora desta sociedade do terceiro milênio. É ainda muito difícil pensar que a educação tem seu movimento lento, qualquer que seja a transformação na educação ela é paulatina, mas isso não impede de construirmos atitude e práticas em nosso cotidiano com o devido tempo e cuidado.
O paradigma da inclusão vem ao longo dos anos, buscando a não exclusão escolar e propondo ações que garantam o acesso e permanência do aluno com deficiência no ensino regular. Por isso, para se falar em inclusão é preciso repensar o sentido que se está atribuindo à educação, além de atualizar nossas concepções e resignificar o processo de construção de todo indivíduo, levando em conta as suas potencialidades e não apenas as disciplinas e resultados quantitativos. Nessas condições, “todos os alunos devem aprender juntos, sempre que possível, independente das dificuldades e diferenças que apresentem” (Salamanca, 1994) sabendo que, “o que for feito hoje em nome da questão da deficiência terá significado para todos no mundo de amanhã” (Madrid, 2002).
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) vem ao encontro do propósito de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a participação e aprendizagem dos alunos com necessidades especiais na escola comum. As pessoas com necessidades especiais não podem ser reduzidas às suas condições, desconsiderando as potencialidades que as integram a outros perceptuais, enquanto seres de consciência, pensamento e linguagem.
A linguagem é responsável pela regulação da atividade psíquica humana, pois é ela que permeia a estruturação dos processos cognitivos. Assim, é assumida como constituva do sujeito, pois possibilita interações fundamentais para a construção do conhecimento. Nesse sentido, se fazem necessários alguns questionamentos como: - Mas o que realmente possibilita a pessoa com necessidades especiais? Conhecimento, independência e interação social? Seria o domínio da oralidade? Da língua? A discussão é antiga, entretanto, é preciso pensar e construir uma prática pedagógica que assuma a abordagem de um ensino de Língua portuguesa através do Bilinguismo, que se volte para o desenvolvimento das capacidades das pessoas com necessidades especiais na escola com novas formas metodológicas que estimulem vivências e que instiga os alunos a aprenderem, propiciando condições essenciais de aprendizagens respeitando as singularidades e diferenças em seus contextos de vida.
Foucault diz, que o poder é algo que circula pelo social, não permanece em lugar único na sociedade. É relacional, ou seja, está numa relação de forças constante, com diferença de potencial. É dinâmico, pode ser invertido a qualquer momento. Se for uma relação, é preciso haver uma cumplicidade. Onde há saber, há poder. A esse respeito, o poder/saber não pode esbarrar nas resistências carregadas de preconceitos e estigmas, nas frustrações e nos medos dos educadores que se julgam incapazes de dar conta dessa demanda, sentindo-se despreparados e impotentes frente a essa realidade que é agravada pela falta de material adequado, de apoio administrativo e recursos financeiros.
Portanto as mudanças são fundamentais para a inclusão, mas exige esforço de todos possibilitando que a escola possa ser vista como um ambiente de construção de conhecimento, deixando de existir a discriminação de idade e capacidade. Estamos todos envolvidos nessas lutas e nossa participação deve ser consciente e lúcida, onde nos encontramos, seja na vida cotidiana, em nossa prática, no trabalho, nas instituições, precisamos ser animados pela esperança do sucesso da construção de uma nova sociedade onde saberes e poderes estejam a serviço do “cuidado de si”, do “cuidado dos outros” e do “cuidado da vida”, pois “somente quando os oprimidos descobrem, nitidamente, o opressor, e se engajam na luta organizada por sua libertação, é que começam a crer em si mesmos, superando, assim sua convivência com o opressor” (Paulo Freire, 2001).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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Ministério da Justiça - Declaração de Salamanca e Linha de Ação Sobre Necessidades Educativas Especiais - Brasília, corde, 1997.
LOURO, Guacira Lopes. A escola e a pluralidade dos tempos e espaços. In: COSTA, Marisa Vorraber (org.) Escola básica na virada do século – cultura, política e currículo. São Paulo: Cortez, 2000. 
PACHECO, José et al. (org.). Caminhos para a inclusão: um guia para aprimoramento da equipe escolar. Porto Alegre: Artmed, 2006.
A pedagogia na escola das diferenças: fragmentos de uma sociologia do fracasso. Porto Alegre: Artmed, 2001.
Referenciais para Construção de Sistemas Educacionais Inclusivos-Fundamentação Filosóficos a História a Formação-EDUCAÇÃO INCLUSIVA Direito à Diversidade-curso de Formação de Gestores e Educadores.
YUS, Rafael - Educação Especial Uma Educação Holística para o séc XXI, Tradução. Daisy Vaz de Moraes - Porto Alegre, ARTIMED, 2002.